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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Kaingangs ocupam sede da Funai em Passo Fundo

Mobilização aconteceu em todo o país e busca discutir a garantia de direitos dos indígenas e a demarcação de terras. Em Passo Fundo, a mobilização reuniu cerca de 130 Kaingangs vindos de toda a região

Para reivindicar a garantia dos direitos indígenas, o fortalecimento da Funai e a demarcação de terras, comunidades indígenas de todo o país fizeram mobilizações e ocuparam sedes da Funai em diversas cidades brasileiras. Em Passo Fundo, a mobilização começou por volta das 08h da manhã dessa quarta-feira (14). Cerca de 130 indígenas permaneceram na Funai até o fim da tarde.

Por volta das 14h as lideranças indígenas foram recebidas pela coordenação da Funai em uma reunião que segundo o representante do Conselho Nacional de Políticas Indigenista (CNPI), Douglas Jacinto da Rosa, tinha o objetivo de criar um espaço para debater o cenário atual da população indígena.

A possibilidade de nomeação de um general para a presidência da Funai foi um dos motivos que mobilizou as comunidades indígenas para a manifestação. Mesmo depois do nome do general Sebastião Paternelli ter sido descartado as lideranças indígenas preferiram manter a manifestação. “Nós não comungamos com nenhuma nomeação que seja da bancada ruralista, da bancada da bala ou de nenhum segmento político que seja parceiro dessas alas que são altamente conservadoras”, observa o representando do CNPI, argumentando que seriam nomeações que não conversam com o movimento indígena.

“O movimento que hoje está acontecendo no Brasil inteiro visa o fortalecimento do órgão indigenista como órgão oficial e articulador das políticas indígenas no Brasil e que ao longo dos últimos anos está sofrendo o que nós estamos chamando de esfacelamento da Funai, com o corte de orçamentos, corte de pessoal e com a importância que a Funai tem para a política indigenista não pode ficar desse jeito”, argumenta Douglas.

Debate antigo
Discussão recorrente na região, a demarcação de terras indígenas também entrou na agenda da mobilização, sobretudo, segundo Douglas da Rosa, pela proteção das terras indígenas. “Nós temos cenários distintos do norte do Brasil e do sul. No norte há uma pauta de afirmar a proteção das terras que já foram demarcadas ou que estão em processo de demarcação, nós da região sul por ter uma bancada ruralista muito forte e há um embate muito intenso, mas a pauta da demarcação é a pauta principal do movimento como um todo”.

Representação regional
Boa parte dos indígenas vieram das localidades de Tijuco Preto e Campo do Meio. Porém comunidades de todo o Alto Uruguai foram representadas pelas lideranças. Com os rostos pintados, portando arcos, flechas, cocares e outros objetos que faziam referência à cultura Kaingang os indígenas passaram o dia no prédio da Funai e no entorno da sede. Pela manhã foi organizado um ato representando as tradições das comunidades.

Apoio dos servidores em Brasília
Em Brasília, cerca de 130 indígenas fecharam as entradas do prédio da Funai e não permitiram o acesso de servidores. Vários servidores permaneceram em frente ao prédio durante toda a manhã em adesão ao ato. No início da tarde, os índios caminharam pela região central de Brasília até o Ministério da Justiça e entregaram o documento com as demandas para o secretário-executivo da pasta, José Levi Mello. Os indígenas também ocuparam a sede da Funai em cidades como Maceió (AL), Curitiba (PR), Campo Grande (MS) e Macapá (AP). Fazem ainda atos em cidades com Imperatriz (MA), Ponta Porã (MS), Santarém (PA) e Porto Seguro (BA), de acordo com a organização do Ocupa Funai.

A assessoria de imprensa da Funai declarou que não foi informada sobre mudanças na estrutura do órgão. Outro ponto de repúdio no documento divulgado pelos manifestantes é o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Funai e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), criada para investigar a atuação dos órgão na demarcação de terras indígenas e de remanescentes de quilombos. “A CPI está criminalizando o órgão, organizações indigenistas e querendo enfraquecer a luta dos índios”, acrescentou Sônia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
Fonte: DM 

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