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sexta-feira, 24 de junho de 2016

Estelionatário diz que vítimas devem desconfiar de dinheiro fácil

Por Leadro Zanotto jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Leandro Zanotto

A reportagem do Jornal Bom Dia, entrou no Presídio Estadual de Erechim para conversar com uma das mentes mais brilhantes no crime de estelionato na região do Alto Uruguai. Cumprindo pena de 35 anos e seis meses de prisão, J.L.M.B, o "Jorge Cheque", ganhou as páginas policiais na década de 80 e 90 quando iniciou uma série de golpes em empresas, segundo ele, faturando mais de R$, 1,5 milhão.

Preparando-se para voltar ao convívio social dentro de alguns meses, Jorge aceitou contar sua história sem mostrar o rosto. O homem que conheceu o dinheiro fácil vindo através de golpes de estelionato aos 19 anos, está com 49 anos e se diz arrependido pelo que fez. "Eu me arrependo muito pelo que eu fiz. Se eu tivesse a oportunidade certamente não faria novamente hoje", destaca.

Preso desde 1989 quando iniciou os primeiros golpes, Jorge, já passou mais de 15 vezes entre idas e vindas pelo Presídio Estadual de Erechim. Sempre cumprido pena pelo mesmo crime: 171, artigo do Código Penal que tipifica o crime de estelionato. No total "Jorge Cheque" respondeu por 77 processos, sendo condenado em todos.

Cumprindo pena em regime fechado desde 2014, "Jorge Cheque" passa os dias auxiliando na manutenção e limpeza da casa prisional. Em uma sala de um metro quadrado apenas com uma pequena janela, próximo ao teto, disponibilizada pela direção da penitenciária, Jorge conversou pouco mais de 20 minutos com a reportagem do Jornal Bom Dia.

O início

"Foram as amizades que me trouxeram para este mundo", diz p apenado ao responder sobre como entrou para vida do crime. Aos 19 anos, o rapaz que trabalhava como garçom, conheceu alguém que mudou sua vida.
Segundo ele na época cansado com o pouco salário que recebia, vindo apenas das gorjetas, Jorge lembra que conheceu um homem que lhe mostrou como ganhar dinheiro fácil, utilizando a ganância das pessoas. "Ele foi comigo até uma empresa e aplicou o golpe. Fiquei impressionado como ele faturou fácil o dinheiro. Assim eu aprendi e comecei a agir por conta própria", destaca.

Tática

Segundo Jorge, o golpe funcionava sempre da mesma forma. Ao chegar em uma empresa, se apresentava como um empresário fazendo uma compra de aproximadamente R$ 10 mil .

No pagamento da compra ele apresentava um cheque falso no valor de R$ 20 mil, e informava que caso a vítima trocasse poderia cobrar uma pequena taxa em cima do valor de R$ 2 ou R$ 3 mil para ficar com o pequeno lucro, pois o cheque nas mãos da vítima seria de um sócio seu.

O comerciante então fazia a troca do cheque falsificado, fazendo com que Jorge recebesse pelo menos R$ 7 mil reais em dinheiro ou até mesmo em cheques verdadeiros que eram trocados rapidamente. "Claro que hoje em dia isso não é mais possível. As pessoas podem conferir com os bancos os chegues, mas naquela época o contato ainda era reduzido e as pessoas confiavam em cheques, o que tornava tudo mais fácil", explica.

J.L.M.B lembra que o cheque falsificado, era uma cópia de cheques de outras vítimas. "Antes de trocar eu olhava e apreendia a assinatura. Então eu confeccionava um cheque com aquele nome e assinava", lembrou.

Um alerta

Após ficar por mais de 30 anos atrás das grades, Jorge, lembra que ouviu muito sobre estelionato, mas que não pensa mais voltar para vida da prática criminosa. Casado e pai de três filhos já adultos, ele faz um alerta para que o número de vítimas seja cada vez menor. "É preciso desconfiar sempre. Não existe dinheiro fácil. Cada dia inventam um golpe novo na praça, por isso peço que as pessoas fiquem sempre alertas", finaliza.

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